Capítulo 8 - O Reencontro
A Montanha dos Idosos houvera ficado para trás há já mais de 30 minutos.
Já se encontravam em plena Vila das Nuvens e o objectivo agora era o de encontrar Angel. Se ele realmente andasse por lá, não deveria ser muito difícil de encontrar devido ao rasto de destruição que sempre costumava deixar para trás.
Não se via ninguém nas ruas, parecendo uma vila fantasma. A maioria das casas encontrava-se com a porta semi-aberta ou até mesmo arrombada mas não havia sinais de alguém a habitar. Aqui e ali, encontravam-se manchas de sangue seco nas paredes, o que dava a entender que Angel já por ali houvera passado.
- Não me parece que ele ande por aqui. – Deixou escapar Carlos, com ar preocupado. – Ele pelos vistos já cá esteve mas deu cabo de tudo. E sem comida não há necessidade de cá continuar a permanecer.
Pedro permanecia silencioso e ao mesmo tempo, cauteloso. Ele tinha a certeza que o perigo poderia encontrar-se à espreita a qualquer esquina.
- Este é o terreno de caça do Angel. – Rematou ele baixinho – Ele traz para aqui as vitimas e diverte-se a caça-las no meio destas terras abandonadas.
Ditas tais palavras, ouviram-se gritos aflitivos de alguém que parecia correr ao encontro deles.
- Vem aí alguém. Escondam-se! – Gritou Pedro, refugiando-se no interior de uma das casas vazias que os rodeavam.
Sem perder tempo, todos o acompanharam e agacharam-se espreitando por uma pequena frincha da porta entreaberta.
Os berros pareciam agora bem mais perto e dava a entender que se tratava de mais do que uma pessoa.
Continuando a espreitar pelo pequeno buraco, conseguiram enxergar um casal a correr ensanguentado, fugindo desesperadamente de algo ou alguém.
A mulher ornamentava um vestido branco, tingido a sangue e o homem sangrava abundantemente do pescoço. Tinham sido atacados e tentavam fugir desesperadamente do ser nocturno que os perseguia para terminar o que houvera iniciado.
A medo, contemplaram, aterrorizados, aquele que procuravam.
Angel encontrava-se no alcance do casal com um sorriso de satisfação bem estampado na face. O que fazia, causava-lhe prazer e além de estar em causa o seu instinto de sobrevivência, estava em prior a diversão e o gozo que lhe dava.
Os olhos trémulos de Alex e restantes companheiros acompanhavam toda a trágica cena que se construía na estrada.
Angel, com uma força descomunal, agarrou os dois pelos braços e atirou-os para o solo empoeirado.
Os seus dentes afiados reluziam na sua boca aberta e esfomeada.
Catarina não conseguiu continuar assistir a tamanha atrocidade e virou as costas com os olhos encharcados em lágrimas.
Carlos e Alex não conseguiam esconder a revolta de voltarem a reencontrar aquele que os houvera amaldiçoado para sempre. Queriam sair dali e ajustar contas com ele.
Apenas Pedro parecia continuar sereno, observando o espectáculo com um ar de estupefacção mas ao mesmo tempo, de satisfação. Ele afinal não se houvera enganado. Aquele era mesmo o local de caça do vampiro que procuravam. E a força e a agilidade dele era mesmo o que precisavam para concluírem o grupo que partiria para tão dura missão.
Angel não se limitava a cravar os dentes nas suas vítimas mas divertia-se também a desmembrá-los, a fazer com que nada restasse no final do trabalho. O que fazia era uma arte. Demoníaca e impiedosa. Sem dúvidas que era o ser mais brutal que existia à face do planeta.
Em poucos minutos, nada mais restava do que sangue e carne triturada. Era impossível afirmar que ali jaziam os corpos de um casal, tamanha a trituração por que eles haviam passado.
As suas vestes negras não pareciam manchar com o sangue. Depois do trabalho concluído continuava limpo como se nada se tivesse passado e apenas os seus lábios deixavam transparecer um vermelho vivo que contrastava imenso numa pele tão pálida como a dele.
A sua fisionomia era exactamente a mesma de há uns anos atrás quando aparecera na festa de aniversário de Joana.
Longos cabelos pretos que pareciam bailarem ao vento, pele branca desprovida de qualquer tom e olhos sinistros, pintados a negro.
E mais uma vez, veloz como o vento, desapareceu daquele local num ápice deixando o que restava dos corpos a apodrecer na terra avermelhada.
- Onde foi ele? – Interrogou-se Carlos, com um calafrio ao fundo da barriga.
Com precaução, aventuraram-se a sair do interior da casa onde permaneceram escondidos e voltaram à estrada.
Nada. Continuava deserta e sem sinais de alguém por perto. Angel sumira, sem saberem ao certo para onde.
- Bolas! – Blasfemou Pedro – Logo agora que o tivemos aqui tão perto. Não o devíamos ter deixado ir embora sem falar com ele primeiro.
- Eu acho que vai ser difícil conversar com ele. – Deixou escapar Alex por entre dentes. – Este tipo é um selvagem e não vai parar para nos ouvir.
Nisto, fez-se sentir um vento gelado e no meio de uma nuvem de pó surgiu aquele que tanto procuravam. Angel encontrava-se a cerca de 20 metros de distância deles, observando-os com curiosidade.
Catarina escondeu-se atrás do corpo de Alex e Pedro recuou, tentando-se encostar o máximo possível a Carlos.
- Quem sois vós? – Gritou Angel, com uma voz rouca e forte – E o que fazeis nas minhas terras?
Alex encheu o peito de ar e deu dois passos em frente. Não podia mostrar medo por um ser que agora era igual a si.
- Nós viemos à tua procura. Viemos de muito longe por tua causa. Tu que tens a fama de ser o vampiro mais forte do universo, praticamente um Deus da destruição. Viemos cá pois necessitamos da tua ajuda numa tarefa que nos foi atribuída.
Angel permanecia imóvel, sem sequer pestanejar. Parecia uma enorme estátua postada no meio da estrada.
- Quem vos mandou cá? – Perguntou ele ferozmente.
Carlos aproximou-se de Alex, tentando transmitir-lhe força. Todos tentavam manter-se firmes, sem mostrar muitos sinais de receio por aquele tremendo predador.
- Precisamos de ti para derrotar Nesfiriti e o seu exército. – Retorquiu Alex.
A frase proferida pelo jovem parece ter causado impacto em Angel que começou a caminhar ao encontro deles.
A cada passo dado por ele, os corações dos 4 companheiros parecia bater mais forte. A adrenalina começava a aumentar-lhe nas veias à medida que ele se aproximava.
Era um ser gigantesco, de quase dois metros de altura e o seu aspecto verdadeiramente sombrio e fantasmagórico.
Angel parou a poucos metros do grupo e fitou-os com um olhar avassalador, quase fulminante.
As suas narinas dilataram quando contemplou Catarina.
- Uma humana. Trouxeram humanos convosco. É uma prenda aqui para o grande Angel?
Alex agarrou Catarina e agachou-a nos braços.
- Não! Os humanos estão connosco. E nem penses colocar-lhes um dente em cima.
Angel rangeu os dentes em sinal de indignação. O seu apetite por sangue humano era descomunal e a sede voltara a aparecer.
- Tu precisas de nós Angel. – Gritou Pedro, fazendo com que o vampiro afastasse os olhos da rapariga – Desta vez, humanos e vampiros têm que juntar forças para conseguirmos destruir a rainha do mal.
Angel dirigiu os olhos na direcção do jovem e com uma tremenda agilidade correu ao seu encontro, agarrando-o e deitando-o pelo chão.
Carlos foi rápido a pensar e sem perder tempo correu a socorrer o seu amigo.
Com uma força tremenda, agarrou Angel pelo pescoço e conseguiu afastar a sua boca do pescoço do rapaz ao qual já se preparava para morder.
Angel largou Pedro e abraçou Carlos com os seus poderosos braços.
- Não sabes com quem te estás a meter, amigo. – Avisou Angel com uma risada maquiavélica.
Carlos gritava de dor ao sentir-se quase esmagado pela força brutal do seu adversário. Custava-lhe respirar e sentia que o seu corpo poderia ser despedaçado a qualquer instante.
Nisto, Alex desferiu um murro certeiro na face de Angel fazendo com que este largasse o seu amigo.
Carlos ficou deitado pelo chão a tossir e a fazer um esforço para voltar a respirar normalmente. A dor era gigantesca, impedindo-o quase de se mover.
Angel encontrava-se possuído de raiva e nada o conseguia deter.
Alex tentou derruba-lo, agarrando-o pela cintura mas não o conseguiu sequer mover. Era uma luta desigual, de um gigante possante contra alguém de estrutura fraca e frágil de movimentos.
Angel era rei e senhor da situação.
Num piscar de olhos, derrubou Alex e imobilizou-o debaixo do seu corpo possante.
- Para ti acabou, meu lindo. Vou dar cabo de ti e em seguida, vou dar cabo de todos os teus amiguinhos.
Angel abriu a boca e mostrou os seus enormes dentes pontiagudos ao jovem.
Mas no momento em que se encaminhava para o morder, Catarina apareceu por trás e colocou as duas mãos com força na face do predador.
Toda a energia e brutalidade daquele assassino sanguinário foram extintas num ápice, deixando-o completamente imóvel e esgotado. Não tinha forças sequer para se segurar em pé e caiu, contorcendo-se em dores.
A rapariga, debaixo de um choro compulsivo, abraçou-se a Alex e ajudou-o a levantar-se. Fora preciso muita determinação e coragem para fazer o que houvera feito mas parece que havia dado bons resultados.
Alex, enraivecido, correu ao encontro de Angel e agarrou-o pelo casaco, levantando-o ligeiramente do chão.
- Tu merecias que eu desse cabo de ti, pá! Onde é que está agora aquele gajo forte que estava aqui há um bocado e que nos ia desfazer a todos? És um merdas. Não vales nada.
Pedro correu ao alcance do seu companheiro e afastou-o, empurrando-o para o lado. Ele tinha que impedir que Alex se descontrolasse e descarregasse a sua raiva em Angel. Eles precisavam dele.
Catarina usara toda a sua força para retirar Alex das mãos do vampiro e este, agora, parecia em choque, contorcendo-se em dor e agonia.
O poder da rapariga era mais forte do que ela alguma vez pudera imaginar e, desde que bem empregado, era capaz de fazer mossas incríveis nos seus adversários.
- Temos que o deixar recuperar do choque. Ele está completamente de rastos.